Raul dos Santos Seixas morreu aos 44 anos, de parada cardíaca, no dia 21 de agosto de 1989, ha 20 anos completos hoje.
Raul já vivia havia nove anos sem dois terços do pâncreas. Diabético, driblava como podia as injeções de insulina (“Odeio injeção, por isso nunca fui junkie”, dizia), mas não dispensava chocolate. Muitas vezes seu café da manhã consistia de um copo de vodca com suco de laranja no bar mais próximo de casa. Separado de sua quinta esposa, Lena Coutinho, desde 1988 morava sozinho num pequeno flat alugado no Centro de São Paulo. Num destes cavalos-de-pau que o destino dá, um homem que odiava apresentar-se ao vivo e digladiava-se com gravadoras morreu descansando de uma maratona de 50 shows realizados ao lado do fã e último parceiro, Marcelo Nova. Naquela mesma semana, chegaria às lojas A Panela do Diabo, disco da dupla que estavam divulgando. E mais shows estavam programados até dezembro, quando a turnê seria encerrada com uma festa no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
Raul morreu fazendo sucesso, como conseguiu a sua vida inteira, e passando uma mensagem bem clara: “Carpinteiro do Universo inteiro eu sou / Mas no final, Carpinteiro de mim”.