Uma construção rural italiana em ruínas foi vendida por 1.500.000 euros, porque um dia pertenceu a um hedonista britânico, escritor e ocultista que foi apelidado de “o pior homem do mundo”.

As ruínas caiadas de uma vila italiana, situada entre as montanhas da Sicília, foi adquirida em 1920 por Aleister Crowley, uma figura muito peculiar, que fez cultuado pelos Beatles, David Bowie, Led Zeppelin, Ozzie Osbourne, Raul Seixas e Iron Maiden.

Crowley se mudou para a casa da Abadia de Thelema e a transformou em uma espécie de comuna, onde a vida diária girava em torno de yoga, a adoração do Sol e do estudo de seus próprios escritos e filosofia mística. Seu gosto libertino ofendeu os fascistas de Mussolini, que o expulsaram com suas amantes do país em abril de 1923.

A casa, perto da cidade de Cefalu, na Sicília, contém afrescos eróticos de homens e mulheres entrelaçadas, pintados por Crowley, educado em Cambridge, no início dos anos 20. Os afrescos, inspirados na obra de Gauguin, também incluem demônios nus, sátiros e serpentes.

Os agentes imobiliários que venderam a propriedade, abandonada por anos e coberta de arbustos e capim alto, sugeriram que deveria ser transformada em um museu dedicado a extraordinária vida de Crowley.

Os moradores locais acreditam que a vila, onde foram organizadas orgias e experiências de amor livre que antecederam o movimento hippie por décadas, é amaldiçoada e se recusam a chegar perto dela.

Crowley, um ocultista que se autodenominou “A Grande Besta”, criou uma filosofia religiosa conhecida como Thelema e é conhecido por suas obras místicas, incluindo o Livro da Lei, no qual expôs as principais doutrinas de Thelema.

Ele também foi um exímio jogador de xadrez e montanhista, que participou da primeira tentativa britânica de escalar o K2, no Himalaia, em 1902. Viajou extensamente pela Europa, Ásia e Américas, e se acredita que trabalhou como espião para a inteligência britânica. Morreu em uma pensão de Sussex, em 1947, com 72 anos de idade.

Na foto, o sexólogo Alfred Kinsey e o cineasta Kenneth Anger examinam murais de Crowley na Abadia de Thelema

Fonte: Telegraph